Audiência coletiva realizada no Sindicato reúne trabalhadores e autoridades para preservar memória sobre a CSN durante a ditadura militar

Encontro em Volta Redonda reuniu trabalhadores que viveram o período e compartilharam relatos sobre suas experiências e possíveis caminhos para reparações coletivas

A sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, em Volta Redonda, recebeu nesta segunda-feira (5) uma audiência coletiva voltada ao resgate da memória dos trabalhadores que viveram o período da ditadura militar e aos acontecimentos relacionados à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Realizada em conjunto pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal e Universidade Federal Fluminense (UFF), a audiência foi marcada por depoimentos fortes, contados por quem viveu e esteve presente naquele período, trazendo à tona histórias que fazem parte da memória da classe trabalhadora e da própria cidade.

O Sindicato esteve representado pelo presidente Odair Mariano e sua diretoria, que acompanharam os relatos e participaram das discussões sobre a preservação dessa memória e sobre possíveis formas de reparação coletiva envolvendo os trabalhadores e Volta Redonda.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Odair Mariano, a realização da audiência também representa um compromisso com a história da categoria e com aqueles que viveram aquele período.

“O Sindicato faz parte dessa história e tem o dever de preservar a memória dos trabalhadores. Hoje tivemos a oportunidade de ouvir relatos fortes, contados por quem viveu aquele período. São histórias que precisam ser conhecidas, registradas e respeitadas. A discussão sobre reparações coletivas também é importante para que possamos olhar para essa história e pensar nos caminhos que ainda precisam ser construídos.”

O diretor jurídico do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Leandro Vaz, destacou a importância da audiência como espaço de escuta e de valorização das histórias dos trabalhadores.

“A Justiça também passa pela preservação da memória. Ouvir os trabalhadores que viveram aquele período é fundamental para compreender o que aconteceu e dar visibilidade a experiências que, por muitos anos, permaneceram sem o devido reconhecimento. Essa audiência representa um passo importante para que essas histórias sejam conhecidas e para que possamos discutir, de forma coletiva, os caminhos para uma possível reparação.”

Também participaram a procuradora do Ministério Público do Trabalho em Volta Redonda, Dra. Juliana de Oliveira Gois, o procurador da República do Ministério Público Federal, Dr. Stanley Valeriano da Silva, e, pela UFF, o pesquisador Dr. Bruno.

Para a procuradora Juliana de Oliveira Gois, ouvir aqueles que viveram os acontecimentos é fundamental para compreender a dimensão do que ocorreu.

“São relatos importantes porque trazem a perspectiva de quem viveu diretamente aquele período. Ouvir essas pessoas é fundamental para preservar essa memória e compreender os impactos que esses acontecimentos tiveram sobre os trabalhadores.”

O procurador Dr. Stanley Valeriano da Silva também destacou a importância dos testemunhos para o trabalho de resgate histórico.

“A memória dessas pessoas precisa ser registrada. São histórias que ajudam a compreender um período importante da nossa história e que não podem ser esquecidas.”

Já o pesquisador Dr. Bruno, da UFF, ressaltou a importância de ouvir os próprios trabalhadores na construção dessa memória.

“São pessoas que viveram esses acontecimentos e que carregam uma memória fundamental para entendermos o que aconteceu. Esses relatos ajudam a construir uma história a partir da experiência de quem esteve presente.”

Depoimentos de quem viveu a história

Durante a audiência, prestaram depoimento Erasmo José da Silva, Evaldo Pontes da Silva, Luiz Carlos de Andrade Vieira, Vagner Barcelos de Souza, Vanderlei Barcelos de Souza, José Henrique Gomes Ferreira, Maria Conceição dos Santos, José Maria da Silva, Antônio Rodrigues da Silva, Adelaide Maria Afonso Máximo, Vitor Raymundo Júnior e Sidnei Tomé.

Os relatos resgataram experiências pessoais e coletivas e também trouxeram ideias para possíveis reparações coletivas, ampliando a discussão sobre os impactos daquele período sobre os trabalhadores e sobre a cidade.

A discussão também alcança a possibilidade de reparação pela via judicial. Nesta linha, segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Súmula 647), são imprescritíveis as ações de indenização por danos morais e materiais decorrentes de atos de perseguição política com violação de direitos fundamentais durante o regime militar. Nesse contexto, os relatos colhidos na audiência servem de base para medidas de diálogo e judiciais, individuais ou coletivas, na busca pelo reconhecimento das violações e pela responsabilização dos envolvidos.

Para o Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, participar da construção desse momento e receber a audiência em sua sede reforça o compromisso da entidade com a história da categoria.

Mais do que lembrar o passado, a audiência foi um momento para ouvir quem viveu, registrar essas histórias e garantir que a memória dos trabalhadores continue sendo preservada.