MIME-Version: 1.0 Content-Location: file:///C:/D028922F/DiariodoVale_nano.htm Content-Transfer-Encoding: quoted-printable Content-Type: text/html; charset="us-ascii" Diário do Vale

Diário do Vale

Metalúrgicos discutem nanotecnologia

Palestra mostra possibilidades= da nova técnica; Fundacentro defende controle social das pesquisas=


A química Arline Arcuri, pesquisadora da Fundacentro, fez ontem uma = palestra no Sindicato dos Metalúrgicos sobre as possibilidades de aplicação da nanotecnologia, e defendeu a necessidade de um “controle social” sobre os produtos feitos com essa técn= ica, que trabalha com a matéria em tamanhos extremamente pequenos. Segund= o Arline, é preciso tomar precauções para evitar danos à saúde dos trabalhadores que vão manipular as nanopartículas e também buscar fórmulas para compensar= a perda de postos de trabalho que a aplicação dessa tecnologia = vai gerar, quando se tornar mais disseminada.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Renato Soares, afirmou q= ue sua principal preocupação com o assunto é o nív= el de emprego: “Em geral, nossa experiência mostra que as novas tecnologias tiram mais postos de trabalho do que criam. É claro que a nanotecnologia tem aspectos positivos, mas também existem aspectos negativos que temos de acompanhar”, afirmou Renato.
Uma das preocupações da Fundacentro é que os materiais comuns, no nível “nano” são muito mais reativos, e podem provocar danos à saúde se ingeridos, inalados ou absorv= idos pela pele: “É preciso criar técnicas que garantam a segurança de quem entra em contato com esses materiais, seja como trabalhador, seja como consumidor”, disse a química.
As máscaras contra gases normalmente usadas no ambiente industrial são ineficazes para proteger o aparelho respiratório contra a inalação de nanopartículas, que passam facilmente pelos poros dos filtros. No momento, a solução está no uso de campos elétricos em máscaras. Essas cargas elétri= cas atraem as nanopartículas e impedem que elas sejam absorvidas pelo aparelho respiratório.
Arline disse ainda que os avanços tecnológicos podem levar a situações que hoje mal podem ser imaginadas: “Em tese, a nanotecnologia pode tornar possível implantar nanochips nas pessoas = sem que elas percebam. Esses nanochips poderiam dar a localização= da pessoa a qualquer momento ou até servir para controlar o comportamen= to delas”, afirma a pesquisadora.
- Esse tipo de aplicação precisa ser evitado. Claro que h&aac= ute; muitas possibilidades positivas, como nanofiltros que poderiam remover completamente as partículas poluidoras da água e do ar, ou nanocelélulas fotoelétricas que tornariam a absorção de energia solar muito mais eficiente, talvez at&eac= ute; o suficiente para tornar desnecessárias todas as outras formas de geração de eletricidade, mas a sociedade precisa estar no controle para evitar que essas técnicas sejam usadas apenas para o l= ucro de poucos, em vez de para benefício geral – afirma.

Brasil está avançado em pesquisas
Quando
o assunto é nanotecnologia, o Brasil está em boa posição: o país conta com um Progra= ma Nacional de Nanotecnologia, lançado em 2005, e financia dez redes de pesquisas sobre o assunto, em diversas especialidades. Além disso, empresas privadas também estão trabalhando no tema.
“Temos uma boa chance de evitar a necessidade de ficar a reboque de outros países na nanotecnologia, o que pode ser muito positivo para o país no futuro”, afirmou Aline.

Nanocarbono pode tornar aço obsoleto

Um dos produtos que podem substituídos pela nova técnica &eac= ute; o aço: segundo Arline, tubos de nanocarbono podem ser muito mais lev= es e resistentes que o metal e ainda podem ser “programados” para retornarem a sua forma original depois de um impacto.
Teoricamente, um carro com carroceria de nanocarbono poderia retomar sua fo= rma original automaticamente depois de uma colisão. Detalhe: atualmente,= os tubos de nanocarbono ainda não são produzidos em escala industrial e um carro feito com esse material, por exemplo, seria extremame= nte caro, mas a evolução tecnológica a produç&atild= e;o em grandes quantidades pode reduzir esse custo.
Produtos feitos com nanopartículas podem ser praticamente eternos. U= ma possibilidade é eles serem capazes de repelir qualquer tipo de impur= eza, o que poderia levar a roupas que nunca precisariam ser lavadas ou pára-brisas de automóveis que dispensariam o limpador.
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